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sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Águia e a Galinha & o Tarô

Encontrei uma referência ao tarô no livro de Leonardo Boff "A Águia e a Galinha" da editora Vozes.


Seu conceito de tarô (no Glossário) foge do senso comum ligado à adivinhação: "baralho de cartas, existente desde o século XIV na França e na Itália, pelo qual se procura conhecer a vida, as tendências e as possibilidades das pessoas."

Pela descrição que ele usa das cartas (duas vezes no texto refere-se ao Mago) ele utiliza o baralho de Rider-Waite-Smith:
"A primeira carta do Tarô representa a figura do Mago. Ele está em pé sobre duas pernas bem firmes no alto de uma montanha. Uma mão aponta para o céu, a outra, para a terra. Em seu chapéu se vê um oito deitado, símbolo matemático do infinito. Sua vestimenta é colorida, metade de uma cor e metade de outra. Sobre a mesa estão seus instrumentos de magia: um bastão, um cálice, uma espada com cabo em cruz, uma moeda. Debaixo da mesa cresce uma flor, expressão da energia da vida e do universo. 
Ele é um ícone da existência humana distendida entre o céu e a terra, entre o finito e o infinito, entre o material e o espiritual. Representa o desafio de construir um centro que acolha e dinamicamente sintetize as duas partes. Por isso ele é mago, pessoa capaz de transformar alquimicamente as partes dentro de um modo orgânico: o material com seu peso e espessura e o espiritual com sua leveza e sentido. Uma vez mais a águia e a galinha buscando uma centralidade que confira, simultaneamente, dinamismo, concreção e transparência à vida humana..."

Platão (à esquerda) ressaltando a
realidade sensível, apontando para
o alto. Aristóteles e a primazia da
prática concreta, com um movimento descendente.

Isso tudo é para comparar o Mago com o Platão e o Aristóteles retratados por Rafael em seu afresco "A , Escola de Atenas". A meu ver, é uma comparação infeliz, pois a comparação deveria ter sido feita com outro baralho, no mínimo contemporâneo ou mais antigo à Rafael. Assim, Boff entra na onda dos ocultistas do século XIX deixando-se levar pelo pseudo-hermetismo que supostamente há no Tarô. Estes conceitos mágicos, esotéricos e herméticos são pasteurizados com a individuação junguiana da Nova Era.

Mas a crítica principal é em termos iconográficos. O resto são opiniões minhas. Essa comparação que Boff faz serve para sua argumentação do que são a Águia e a Galinha. Duas formas de viver, de ver a vida integrados no Mago de Waite, como Boff conclui a seguir:


"O arquétipo do sábio nos conduz à última expressão do herói/heroína arquétipo: o mago. Refletimos já sobre o mago do Tarô. Vimos como está conectado com as energias secretas do universo. Como transforma o mundo convencional em mundo mágico. Como transfigura os fracassos em sabedoria: Como recompõe a imagem quebrada em mil pedaços. 

O Mago de Leonardo Boff.
O mago consegue criar uma totalidade final sem deixar sobras. Uma sinfonia que recolhe em si todas as disfonias. O mago nos introduz em estados de consciência integradores que nos permitem vislumbrar, a partir de um centro de irradiação e de amor, a unidade de todas as coisas. Ele alarga as dimensões de nosso eu consciente na direção do eu profundo. A partir do eu profundo nos faz mergulhar no oceano divino que nos habita, Deus. Em derradeira instância, nos diz o mago, nós somos um com Deus."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O Tarô de Waite e o Tarô de Sola Busca

Por acaso, descobri um baralho de Tarô anterior ao de Rider-Waite-Smith que já tinha seus naipes numerados ilustrados. Tirando de Etteilla a pretensa originalidade das ilustrações dos Arcanos Menores. É mais um peculiar baralho (além do de Viéville) que Waite e Smith inspiram-se. Além de outras inspirações já tratadas aqui.

Seguem traduções de dois comentários que achei sobre o baralho e sobre sua suposta inspiração à Waite & Smith:

A Rainha de Copas nos baralhos de Sola Busca e de Waite-Smith
O baralho de Sola Busca é o único baralho completo do século 15. A data mais provável deve ser 1491. As cartas foram gravadas em cobre e depois pintadas à mão em cores. Os historiadores do Tarô, Giordano Berti e Sir Michael Dummett, sugerem que o baralho pode ter sido gravado em Ferrara e iluminado em Veneza. 

Em 1907, o proprietário das cartas, da família Sola Busca , tinha fotografias em preto e branco de razoável boa qualidade (para a época) do baralho completo. Um conjunto destas fotos foram apresentadas ao Museu Britânico (British Museum). Desde aquela época, a plataforma original nunca foi colocada em exposição novamente!

Logo após a recepção das imagens fotográficas em preto-e-branco do Tarô de Sola-Busca, eles foram colocados em exposição no Museu Britânico, em Londres. É provável que a experiência de ver esta exposição tenha servido de estímulo inicial para Arthur Edward Waite e Pamela Colman Smith para posteriormente criarem  seu próprio baralho de Tarô com todos as 78 cartas ilustradas, assim como todo o pacote de 78 cartas de Sola Busca é ilustrado.

Acredito que Pamela Smith teve muita inspiração das imagens renascentistas de Sola Busca. Ambos, Waite e Smith, como membros da Golden Dawn, estavam bastante familiarizados com a Alquimia Renascentista. Smith, em particular, estava familiarizada com roupas renascentistas e o simbolismo das cores, devido ao fato de que ela ter passado vários anos com uma trupe teatral na Inglaterra, tornando-se figurinista e cenógrafa. De fato, há semelhanças entre algumas das cartas numeradas de Sola-Busca e as figuras de Pamela. 


Como foi demonstrado por Giordano Berti e Sofia Di Vincenzo em um estudo publicado em 1995 (Alchemy em Sola-Busca Tarot, Torino - 1995 e Stamford - 1998) este é o primeiro Tarô verdadeiramente esotérico na história, porque suas imagens são claramente inspiradas pela tradição alquimista do Renascimento.

Em 2009, o Museu Pinacoteca di Brera, em Milão comprou o deck por 800 mil euros.

Já foram lançadas reproduções pela U.S. Games, LoScarabeo e uma edição limitada por Wolfgang Mayer. Todas fora de catálogo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Botticelli & Pamela Colman Smith

Quais paralelos há entre o 3 de copas e a Primavera de Botticelli?

Três de copas Waite-Smith

Detalhe da primavera de Botticelli:
as Três Graças
 


No quadro de Botticelli percebe-se a temática mitológica grega, Cupido, Vênus e Mercúrio (na extrema esquerda). As três jovens dançando, à esquerda na pintura, são as Três Graças (Aglaia, Tália, Eufrosina), símbolos da sensualidade e da beleza, que sempre acompanham Vênus. Representam a alegria, o encanto e a beleza, em sua celebração.

Mais sobre as graças, aqui.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Waite & Viéville

O Sol no Tarô Rider-Waite-Smith
tarot Viéville, arcane XIX
Navegando pela internet verifiquei que a carta O Sol de A. E. Waite possui um paralelo com a gravura feita, supostamente, por Jacques Viéville para seu Tarô tipo de Marselha. Pesquisando mais pude perceber que os estudiosos deste Tarô consideram-no meio misterioso, por diversas particularidades que só estão presentes nesse baralho.

Porque será que Waite bebeu nesse baralho?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Riqueza original do Tarô?


Desde que li esse trecho de um texto do Constantino K. Riemma, no Clube do Tarô, tenho repensado o uso que tenho feito do baralho de Waite, veja:


O Dez de Espadas do baralho Rider-Waite ajuda a exemplificar essa freqüente contradição entre o que é propalado como fundamento e o resultado concreto.

Nessa carta fica clara a enorme distância simbólica entre o aniquilamento de um homem, abatido pelas costas com uma dezena de espadas, e os múltiplos atributos e significados do elemento ar (naipe de espadas) e do número dez (o retorno do conjunto à unidade). Diante de um fato como este, faz sentido a crítica de que, com essa figuração, Waite "não só liquidou com o personagem, mas também enterrou a riqueza de significados esotéricos do Dez de Espadas".



Soa, para mim, que o baralho de Rider-Waite-Smith diminuiu a riqueza original... O que fazer? Desistir de tudo? E se desistir, onde está a riqueza original?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Guillaume Postel, os quatro elementos e o Tarô - um erro.


Quando chegou à minha mão o livro Tarô, Ocultismo & Modernidade do Nei Naiff, debulhei a leitura para ver se encontrava o que estava me intrigando desde esse post. Ou seja, à procura de maiores detalhes sobre a relação dos quatro elementos com os quatro naipes do Tarô que Postel foi, supostamente, o primeiro a definir.  E mais importante ainda: seria uma relação estudada trezentos anos antes de todos os outros ocultistas que - em grande parte e na minha opinião - mais confundiram do que explicaram o Tarô! Infelizmente Naiff não dá maiores detalhes de como esta proposta foi realizada por Postel, tampouco diz em qual edição de Clavis Absconditorum ele consultou. Sua tese é que somente Eliphas Levi irá reabilitar e dar o devido crédito à Postel, isso quase no fim do século XIX.

Porém em todas as fontes que pesquisei, não encontrei nada que diga que Postel sequer conhecia o Tarô. Na minha opinião é um pequeno erro de apreciação que Naiff cometeu e não tira a credibilidade muito menos a relevância de seu trabalho, que é justamente a de desmitificar o universo do Tarô e de esclarecer sua história.

No "Prefácio Biográfico" assinado por Arthur Edward Waite em 1896 para o livro de Lévi: Dogma e Ritual de Alta Magia (que não consta no livro da edição brasileira da Editora Pensamento). O inglês comenta ironicamente que Lévi gostava de percorrer as obras e não de aprofundar-se nelas e continua:
"Um dos trabalhos mais citados por Lévi e com maior reverência é o trabalho de Postel, porém Lévi nunca se deu ao trabalho de verificar que a chave que lhe era tão cara era na verdade um adendo de uma edição posterior". - (Tradução minha de uma edição em inglês).
O editor em questão foi Abraham von Frankenberg, que adicionou esta chave (abaixo) em 1646, como uma interpretação pessoal do que Postel escreveu em 1546. Porém, que fique claro, nem Postel nem Frankenberg deteram-se sobre o Tarô. Essa suposta ligação é feita por uma interpretação errônea de Eliphas Lévi. 

Chave de Frankenberg, que Lévi considerou como sendo de Postel. Que posteriormente foi reinterpretada pelos ocultistas do século XIX como Papus, Zain e Waite.
Assim Levi interpreta a tal chave:
"Os verdadeiros iniciados, dizemos nós, que conservam o segredo do tarô entre os seus maiores mistérios, se guardaram de protestar contra os erros de Etteilla, e não o deixaram revelar, mas velar de novo o arcano das verdadeiras clavículas de Salomão. Por isso, não é sem profunda admiração que achamos intacta e ignorada ainda esta chave de todos os dogmas e filosofias do mundo antigo. Digo uma chave, e é realmente uma, tendo o círculo das quatro décadas para anel, a para haste ou corpo a escada dos 22 caracteres, depois para dentes os três graus do ternário, como o entendeu e figurou Guilherme Postel, na sua Chave das Coisas Ocultas desde o Começo do Mundo, chave da qual indica o nome oculto e é conhecida unicamente pelos iniciados [à esquerda]
palavra que se pode ler Rota, e que significa a roda de Ezequiel, ou Tarô, e então é sinônimo do Azoth dos filósofos herméticos. É uma palavra que exprime cabalisticamente o absoluto dogmático e natural; é formado dos caracteres do monograma de Cristo, de acordo com os gregos e hebreu".


De acordo com Michael Hurst, aqui: "Eliphas Levi elaborou uma ficção no século XIX, sobre uma ilustração do século XVII, para um livro [de Postel] do século XVI." E muitos ocultistas querem justificar tudo isso no século XXI. 

Nesta página aqui, há um artigo que comenta sobre essa confusão e as possíveis inspirações que Frankenberg teve para a dita chave.

Quanto as considerações de Naiff, acredito que ele tenha se baseado em Papus. Este em O Tarô dos Boêmios, ao desenvolver as relações entre as figuras dos Arcanos Menores, seus naipes e ao Tetragrama sagrado, relembra Postel e Levi:
"Todos os autores que estudaram o aspecto filosófico do Tarô reconhecem unanimemente a correspondência entre o tetragrama e os quatro naipes. Guilherme Postel, e sobre tudo Eliphas Levi, desenvolveram estes estudos com proveito mostrando-nos como as quatro letras do tetragrama são aplicadas ao simbolismo de todos os cultos". - (Tradução minha de uma edição em espanhol).
Pelo teor das conclusões de Papus, me parece que Naiff  tenha retirado destas páginas o que ele considerou ser de Postel.

Quem quiser e tiver culhão sagacidade para isso, pode verificar o original Clavis Absconditorum a Constitutione Mundi (Chave para coisas ocultas desde a fundação do mundo), em latim, na Biblioteca Nacional da França. Se não funcionar tem este outro link.

O que me intriga é que Arthur Edward Waite mesmo sabendo desta confusão perpetuou a falha quando comissionou com Pamela Smith a realização de seu Tarô. A dupla referendou tal ligação com o Arcano Maior de número dez, A Roda da Fortuna. Por que Waite? Porquê?

De acordo com Papus esta é: A Chave 
Absoluta para a Ciência Oculta.
Quase toda a viagem de Lévi está aqui: as
criaturas de Ezequiel, ROTA,
Tetragrama e os símbolos
alquímicos.





















Isso tudo toma dimensões insanas surrealistas quando se vê gente publicando essas chaves (Frankenberg, Zain, Papus e Waite, misturando com suástica, tibetanos e templários) e interpretando-as para dizer que encontrou um código para o dia do juízo final. Não vou dar o endereço do rapaz aqui, porque ele não merece, merece o hospício ou algum medicamento... Mas é interessante verificar como pega, essas conversas de conspirações, segredos, "estão ocultando isso de você" etc.

Concluindo...

Através das fontes pesquisadas é possível concluir que Postel não é o primeiro ocultista a estudar o Tarô e por isto nenhum outro ocultista trouxe à tona sua obra relativa às cartas, a não ser através de Eliphas Levi que apressadamente construiu essa relação. Será Papus em O Tarô dos Boêmios que irá fazer a relação direta entre as letras do nome de Deus, os quatro elementos e os naipes do Tarô.

Por enquanto, não há evidências de que o Tarô tenha sido tratado por algum hermetista, cabalista, astrólogo ou filósofo anterior aos apontamentos de Court de Gebelin e do conde de Mellet.

sábado, 16 de outubro de 2010

El Colgado - Sheldon Kopp


Como percebi certo interesse dos leitores pelo livro mencionado no post anterior resolvi pesquisar um pouco mais sobre ele.

Começo falando da capa, que considero muito boa. Retrata ou lembra diversos dos Arcanos Maiores do Tarô de Marselha, apesar de no interior Kopp utilizar o Tarô de Waite-Smith. 

A apresentação do livro, resumidamente, diz isto: 

"Como assumir o demoníaco que existe em nós?

A herança que o guru contemporâneo tem recebido inclui as metáforas curativas  do mestre zen, do rabino chassídico, do eremita cristão do século IV, dos bruxos, dos "Homens de Medicina" e os magos. Tal afirmação nos previne sobre as características deste livro singular, que é como um jogo feito de contos hindus, alegorias, relatos chassídicos, modernas sessões de psicoterapia...

O autor recupera os mitos e os arquétipos de Jung, para que aceitamos viver com mais inteligência em nosso próprio claro-escuro: o lado da luz e da sombra, antecipado no duplo sentido das cartas do Tarô.

Este livro é uma caixa de pandora, de deliciosa leitura: ensina enquanto diverte, nos coloca frente a nós mesmos e nos diz: lê a ti mesmo."

Aqui um pequeno comentário traduzido e com certas adaptações, do psicoterapeuta argentino Arthuro Philip:

"El Colgado” que tem como subtítulo “La psiquiatría y las fuerzas de la oscuridad”, que possuo exemplar da editorial Alfa Argentina editado em novembro do ano 1976 (velhinho porém atual). Esse livro é destinado a profissionais da saúde mental, mas isso não impede sua compreensão pois está escrito com uma linguagem acessível (...).
É um excelente livro escrito por um colega psicoterapeuta enquanto lutava contra um câncer de cérebro, em corajosa empreitada para transmitir seus conhecimentos antes de morrer. Escreve sobre vários arquétipos humanos próximos a nós que C. G. Jung trata, um deles é o do Trickster, ou do Bobo."

Volta e meia aparecem exemplares surradinhos no MercadoLivre argentino e uruguaio... Mas é muito ruim fazer esse tipo de compra, pois o ML brasileiro não é integrado ao dos outros países da América Latina.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Manual do Tarô - Hajo Banzhaf

Como já havia ficado impressionado com o didatismo de Hajo Banzhaf, aqui. Resolvi me aventurar neste Manual do Tarô.

Este livro do Banzhaf (também da Editora Pensamento) foi lançado antes do Livro do Tarô (onde o alemão irá aprofundar sua abordagem didática abrangendo todos os passos na realização de uma leitura). No Manual do Tarô, Hajo faz uma análise de cada uma das cartas tanto do Tarô de Waite quanto do Tarô de Marselha.

Para cada um dos Arcanos Menores ele traz relações e associações, entre outros, com uma letra do alfabeto hebraico; com a Numerologia; uma citação de Jung; uma citação literária; um comentário seu sobre a interpretação da carta, na Síntese; e uma história, que geralmente é um complemento da citação literária (com Rudyard Kipling, Alan Watts, Albert Camus, Herman Hesse, Sheldon Kopp, Oskar Adler, Robert Pirsig, José Ortega y Gasset, John Fowles. Isso é ótimo, pois acredito que o entendimento sobre o que cada carta representa alcançamos através de duas maneiras: ou pelas nossas experiências ou, se não há temos, pelos livros que vivemos.

Nestes exemplos de citações literárias alguns foram bem fáceis de achar, como Kipling, Pirsig e Hesse. Porém outros foram muito difíceis, isso deve-se ao trabalho do tradutor que não se dignou a procurar o nome dos livros como foram publicados no Brasil. A obra citada por Hajo de Albert Camus foi lançada no Brasil como Bodas em Tipasa, quem procurar como "O Casamento da Luz", como foi traduzido, não achará nada. Do psicoterapeuta Sheldon Kopp realmente não tem nada publicado em português, mas o nome do livro citado poderia ter sido traduzido como O Pendurado. Este livro foi publicado na Argentina pela Editorial Alfa Argentina, em 1976, com uma capa linda - sim, continuo julgando um livro pela capa... A obra de Oskar Adler ganhou no Brasil o título de Psicologia Astrológica, na Argentina: La Astrología como Ciencia Oculta. Já a de Ortega y Gasset recebeu, no Brasil, o título de O Homem e a Gente.


Voltando ao Manual. Quanto aos Arcanos Menores ele propõe uma aproximação interessante. Que realmente me ajudou na compreensão destas cartas, tanto no que elas representam dentro da série de números, por exemplo: 1 é o impulso, 2 é a polaridade, 3 é a estabilidade, 4 é a estabilidade rígida, 5 - é o medo, 6 - crise, 7 - harmonia, 8 - depressão, 9 e 10 - positivo para moedas, excessivo para espadas e bastões. Quanto na associação dos naipes aos  quatro elementos, em uma " Correlação interna das séries", Banzhaf cria textos seguindo a ordem de Ás até Dez e vice-versa, cada série seguirá o mote do elemento que a rege e da primeira carta. Por exemplo, se a série for de Bastões (fogo) começando por Ás até Dez, o mote será: "O caminho da vontade, do crescimento e da fama". Já se for do Dez de Bastões até o Ás será: "O caminho do jugo do dever para o livre desenvolvimento". 

Os quatro elementos de acordo com o alquimista  Isidorus Hispalensis.
A associação de elementos e naipes é a mesma usada por Nei Naiff, porém Banzhaf não diz em momento algum qual a origem desta associação, ele embasa essa associação com autores modernos como o astrólogo Stephen Arroyo e com o homeopata e analista junguiano Edward Whitmont.

Até chegar a isto ele repete ecos de Papus, Lévi e Waite ao fazer diversas associações mitológicas, hebraicas, zodiacais... que me fatigam. Algo que ele não fará em O Livro do Tarô.

Com este livro Banzhaf reforça o uso e a escolha que fiz pelo baralho de Waite, pois apesar de ele analisar o Tarô marselhês toda sua interpretação segue as figuras de Waite e Smith.


sábado, 2 de outubro de 2010

O Livro do Tarô - Hajo Banzhaf

Após um período estudando e quebrando a cabeça com as teorias e proposições vagas de Papus, Waite e Lévi, resolvo deixá-los um pouco de lado. Esse passo libertador só consigo fazer após a leitura dos textos de Nei Naiff. Ufa!

Então, estou me aprofundando tanto na abordagem do brasileiro quanto na do alemão Hajo Banzhaf. Hoje comento "O Livro do Tarô" deste último, lançado pela editora Pensamento. 

Para Banzhaf não importa a origem do tarô pois"transmite uma sabedoria de tempos antigos, enraizada no inconsciente coletivo!... por isso não importa se as cartas (...) surgiram há 500 ou 5000 anos. As imagens [reproduzidas] são mais antigas que a invenção do papel e da tipografia."

O Tarô através de seus Arcanos Maiores é uma viagem arquetípica que encerram uma sabedoria sobre o destino dos homens.

Apesar do alemão não indicar um baralho como mais "certo" ele claramente sugere (principalmente aos novatos) o Tarô de Rider-Waite, que contêm ilustrações dos Arcanos Menores ao contrário do Tarô de Marselha que "são ilustradas de maneira tão pouco sugestiva". Aconselha evitar baralhos da moda e baralhos "complicados" como o de Crowley que merecem um estudo mais profundo não só de sua simbologia, mas também da doutrina esotérica que os cerca.

O alemão torna-se profundo e filosófico ao conceituar o Tarô como um sistema que atribui um sentido ao acaso.

É apresentado de forma detalhada as formas adequadas de se fazer as perguntas e dependendo do teor destas há uma orientação de qual sistema de disposição usar. A partir disso, o livro organiza-se a partir de três esquemas básicos para disposição das cartas, as perguntas mais frequentes irão encaixar-se de uma maneira melhor em algum deles, que são: 'A Bússola' (qual decisão tomar), 'O Oráculo do Amor' (sentimentos) e 'O Ponto Cego' (auto-conhecimento). Assim, cada carta além de sua interpretação geral será apresentada ocupando uma posição dentro de algum destes esquemas. Quem tiver cara-de-pau coragem suficiente pode oferecer uma leitura completa utilizando o livro junto!!!

É uma obra didática, moderna e muito clara que ajuda a entender cada um dos passos que envolvem a interpretação do Tarô. 


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Edições dos livros de A. E. Waite no Brasil

De acordo com o post anterior quis verificar os diferentes livros de Waite que consegui levantar.


"The Pictorial Key to the Tarot" de
Arthur Edward Waite. Pela editora Escala
 (esquerda) e pela editora Kuarup (direita).
Chegam ao mesmo tempo dois livros de Waite: Tarô – A sorte pelas cartas, lançado pela Ediouro e O Tarô Ilustrado de Waite, da Editora Kuarup. Já nas primeiras páginas vê-se que são dois títulos para o mesmo livro. É tão chato ter dois livros iguais. Aliás, não tão iguais assim... Além dos títulos diferentes há diversas nuances entre as edições. Vejamos:





As mini-cartas no livro da Escala, meu dedão serve de escala...
A edição da Ediouro acompanha 78 mini-cartas para se recortar no fim do livro. É possível achar essa edição em bons sebos ou pela Estante Virtual, mas cuidado com as descrições dos livros, muitos livreiros não colocam as descrições condizentes com o que o livro oferece. Sobre essas mini-cartas elas são interessantes como instrumento de estudo dos símbolos e comparações, mas para jogar é impraticável, por causa do tamanho. Algumas cores também não conferem com o que se conhece das cartas.Isso é algo corrente nas edições do baralho de Waite, a cada edição há uma diferença no preenchimento e nas cores escolhidas.





Reprodução da Kuarup.
Reprodução da Escala.
Voltando aos livros. Comparando a edição da Ediouro com a versão da Kuarup verifica-se grande diferença nas reproduções que acompanham o texto descritivo de Waite para cada carta. As da Kuarup têm tons de cinza que não valorizam os traços de Pamela Colman-Smith. As da ediouro são muito boas. Porém o lado posistivo da edição da ediouro termina aqui, a da Kuarup possui um texto muito mais fluido, mérito do tradutor e do revisor. Além disso, o texto é enriquecido com várias notas explicativas, algumas traduzindo as diversas expressões latinas que Waite profusamente utilisa, como flos campi e lilium convallium (flor do campo lírio dos vales). Não que isso melhore o entendimento, mas...

Enriquece a edição da Kuarup um excerto de outro livro de Waite “ O Santo Graal”, de onde o autor define a origem do Tarô; uma introdução; e uma “Notas sobre o Tarô como um jogo”, ambas por Gertrude Moakley.


Na dúvida, leve os dois... Na dívida, fique com um folheto resumido...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Livros de Arthur Waite



Como já havia dito antes gostei muito do manual da Artha, que acompanha o baralho Rider-Waite. Mas queria me aprofundar mais na significação das cartas e no proceso de criação delas. Assim nada melhor do que ler a obra original de Waite. No folheto eles dão uma empurradinha: “no livro o Tarô Ilustrado de Waite, escrito por ele, editado no Brasil pela Artha Editora, poderão também ser encontrados mais detalhes a respeito dos Arcanos Maiores, e sua vinculação com a Doutrina Secreta, seus símbolos, a história do Tarô, mais significados divinatórios para as cartas, significados adicionais de acordo com a cartomancia, baseados em conhecimentos de cartomantes consagradas em sua época e significados que se repetem nos Arcanos Menores ( por exemplo: dois Reis, três Reis...). Além disso ele faz questão de diferenciar também a utilização do Tarô como um método de desenvolvimento interior, da utilização deste baralho como um método de adivinhação”.


Eu tenho um problema não posso ler uma indicação que tenho que ir atrás... Mas exatamente esse livro é difícil de encontrar, Cultura e Siciliano não possuem em seu  acervo. Só encomendando diretamente com a Editora... Além do que no site da editora não tem o preço do livro... me deu preguiça de ligar e perguntar. Na EstanteVirtual tem vários títulos de livros de autoria de Arthur Waite: Tarô Ilustrado de Waite, O Tradicional Tarô de Waite e Tarô a Sorte pelas cartas. Mas nenhum da Editora Artha... Serão os mesmos títulos? Ou serão mesmo diversos livros diferentes? Vou experimentar, pois são bem baratos. Totaliza R$6,00 com frete: Tarô a sorte pelas cartas, da Ediouro, de 1985.
Daqui uma semana chega...

Em Busca do Baralho Perfeito...

Estudando o livro de Papus em paralelo com o livro de Geringer percebo que o tarô é diversas vezes comparado com outros ensinamentos esotéricos. Cada carta é associada à uma letra do alfabeto hebraico, um signo ou lua ou planeta, um elemento alquímico, um símbolo egípcio, um caminho sefirótico... São tantas associações que confundem o iniciante o que me dá a impressão de que para saber o Tarô é preciso antes compreender Cabala, Astrologia e Hermetismo. Por isso iniciei a busca pelo baralho perfeito, ou seja, um baralho que congregue de alguma forma todas estas associações.

Cheguei a pensar que que esse baralho fosse o que acompanha a edição do Tarô dos Boêmios, feito de acordo com as instruções e todas as associações que Papus traz. Porém, como já comentei aqui, é um baralho pobre, principalmente em relação aos Arcanos Menores. A sequência de 1 a 10 de cada um dos naipes são iguais, só mudando a numeração na parte superior da carta.

Então fazendo uma pesquisa sobre baralhos de Papus cheguei à este chamado Tarô Adivinhatório. Ele acompanha um livro editado no Brasil de mesmo nome. Uma breve review do livro e algumas imagens do baralho estão aqui: www.aecletic.net/tarot/cards/adivinhatorio.

Nas informações sobre ele consta que é um baralho baseado nos ensinamentos da Golden Dawn, as figuras principais lembram motivos egípcios e são pequenas com largas bordas brancas. Nestas bordas estão todos os símbolos e as associações que considero essencial em uma carta. Além disso, há um subtítulo ( por exemplo no Papa: “O Magnetismo Universal / Ciência do Bem e do Mal”). Estranho...


Mas esse achado em vez de respostas traz mais dúvidas... Pergunta:

- porque a numeração dos arcanos menores (Ás de Paus exibe o número 36) segue esta ordem?

Apesar de todas essas informações nas cartas, que num primeiro momento considerei essenciais, na verdade são dispensáveis. Poluem a carta e confundem  ao invés de esclarecer. Além disso, as cartas forçam um visual egípcio que não tem nada a ver com a tradição egípcia de figuração.

Continuo com o baralho de Rider-Waite...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Primeira leitura do tarô


Não resisti e ao chegar em casa, para teminar a domingueira, resolvi estudar as cartas. O Grande Tarô de Waite da Editora Artha.

Antes, não sei bem porquê, resolvi anotar a sequência das cartas que estavam no maço. Me chamando a atenção para o Louco (nº 0) antes da carta 21 (O Mundo). Por que isso? Qual o sentido, se é que existe, para esta sequência? Porque não começar pelo zero?

Os Arcanos menores estavam assim dispostos: copas, espadas, paus e ouros, vindo o Rei, a Rainha,o Cavaleiro e o Valete e a sequência do Ás ao 10. As cartas são todas escritas em inglês.

Outra preocupação que tive foi a de não deixar ninguém tocá-lo ou abrí-lo antes que eu o fizesse. Escrevendo isso reconheço que é meio besta, presunçoso, mas na hora me parecia razoável seguir a tradição das cartomantes, do candomblé/umbanda, de consagração das cartas dos baralhos ciganos. Pois já havia testemunhado a incomodação que provoca quando não é respeitado esse ritual.

Bom, após esses passos li o livreto explicativo com o significado resumido de cada carta. Na segunda parte do livreto há um exemplo de leitura: O antigo método celta de adivinhação. O livreto me pareceu claro e objetivo nas suas explicações.

Fiquei com vontade de realizar minha primeira leitura!!!

Para minha primeira leitura , apesar de o livro de Banzhaf ser bem completo, minucioso e didático em relação às especificações das leituras, resolvi seguir os passos do Método de Leitura Celta que consta no livreto da Artha. Os ensinamentos de Banzhaf utilizo para calcular a quintêssencia da tirada e verificar qual é o recado final da leitura.

E tenho de ser sincero, não consegui chegar à uma conclusão prática com a cruz celta. O que ajudou a elucidar a minha pergunta foi o resultado da quintessência. Soma total 82, por redução cheguei ao 10 e então ao 1.                       

A Roda da Fortuna no Tarô Rider-Waite-SmithO Mago no Tarô Rider-Waite-Smith
Primeiro com a Roda da Fortuna, indicando que eu possuo um problema a resolver (novidade!), e consequentemente por redução dando o Mago, pedindo habilidade com esforço para resolvê-lo












Como fiquei boiando na interpretação da cruz céltica, resolvi ir atrás. Peguei a carta final, no caso o Nove de Espadas (cartinha amedrontradora!), e coloquei-a na posição da "questão" (posição número 1) numa segunda leitura através do método celta
Nove de espadas  no Tarô Rider-Waite-Smith


Não vou comentar a interpretação dessa leitura, mas só vou dizer que a quintessência ilustrou bem a situação. Já que a pergunta, o problema basilar, era de ordem sexual, amorosa. A soma total foi de 78, por redução obtêm-se o 15 e depois o 6.
O Diabo no Tarô Rider-Waite-SmithOs Enamorados no Tarô Rider-Waite-Smith

Mostrando minha prisão com as questões do baixo centro de energia.
E que eu devo procurar uma solução para libertar o amor verdadeiro.













Sincronicamente acabou-se formando uma configuração  interessante, mesmo com toda minha ignorância...

domingo, 5 de setembro de 2010

Testando 1, 2, 3...


Fechando a trinca levo também do Banzhaf Tarô Sabedoria para todos os dias. Com leituras de diferentes planos das cartas do baralho de Rider-Waite. Estes planos, Banzhaf chama de rúbricas, assim, para cada carta há seis rúbricas (convite à reflexão, assuntos do coração, para o futuro, enfrentando uma crise, dica para o dia e o encorajamento).


Ótimo para consultas rápidas de cada carta. Um exemplo das seis rúbricas para a carta A Força:

 Ao mentalizar uma pergunta específica ou ao querer aconselhar-se de uma forma mais geral pode-se usá-lo de três formas distintas:

 - escolhendo uma carta de um baralho de Tarô;
 - abrindo em qualquer página aleatoriamente;
 - ou, ainda, usando um sistema quiromântico onde cada dedo da mão esquerda possui um significado diferente dependendo da pergunta realizada (geral-indicador; profissional – médio; amoroso – anular; negócios-mínimo). Aí com o dedo em riste e olhos fechados o consulente pousa-o sobre um disco com uma numeração aleatória. Estes números correspondem ao número da página onde a carta está.

Fiz um teste usando o dedo indicador e perguntando o que poderia esperar sobre esse empreendimento que inicio agora.... Eis o resultado:

ÁS DE COPAS

Ás de Copas  no Tarô Rider-Waite-Smith
“Para o futuro o ÁS DE COPAS lhe promete:
Você está diante de uma oportunidade maravilhosa de encontrar felicidade e satisfação, que você não deveria perder de forma alguma.”

Poderia ter dado resultado mais animador?

A descoberta do tarô

Caí nessa seção da Livraria Cultura despretensiosamente. Queria só desanuviar a cabeça um pouco, esquecer das encruzilhadas e folhear alguns livros esotéricos ou religiosos. Porém dou de cara com a sub-seção de Tarô e baralhos, assunto que nunca havia me tocado antes. E já me vem na cabeça “vou comprar um baralho!”

... Mas qual escolher? das Bruxas, de Marselha, Cabalista, da Vovó Cigana, de Waite, de Marselha. Resolvo folhear os livros e encontro mais um monte de opções...

 Resolvo folhear os livros de Hajo Banzhaf, primeiro o Livro do Tarô. Parece ser o ideal para novatos: possui o significado de cada uma das 78 cartas (do baralho de Waite), com exemplos de leitura e interpretação para três tipos de jogos diferentes. Na introdução do livro há uma apresentação do que é o Tarô, suas origens e os diferentes baralhos. Apesar de dizer que não há baralhos certos nem errados, o alemão implícitamente aconselha (principalmente ao neófito) o baralho de Rider-Waite, que possui situações ilustradas nas cartas numeradas dos Arcanos Menores. Apesar do conselho da minha esposa alertando-me que o Tarô de Marselha era o mais conhecido e mais tradicional (ela já viveu na França), vou pela dica de Banzhaf: adquiro o baralho de Rider-Waite da Editora Artha.